"A apropriação para destranscendentalizar a cultura"
Msc. Rodrigo Ornelas

(Sexta, 12-04, a partir das 20h - Grandes Plenárias, auditório 01: Filosofia Moderna)

Resumo:

A virada pós-metafísica da filosofia que foi concebida na contemporaneidade possui suas raízes especialmente fincadas na filosofia prático-historicista (pós)hegeliana. Isso porque apenas a dialética hegeliana passada pelos jovens hegelianos (Marx, Feuerbach, Engels, Stirner) possibilitou a compreensão de uma filosofia prático-materialista, tornada em críticas da modernidade cristã. Entretanto, as filosofias descendentes da dialética de Hegel não foram, em hipótese alguma, convergentes em suas respostas à insistente espiritualização da cultura. A mais radical delas, apresentada por Max Stirner em O Único e sua Propriedade, entende que mesmo os jovens hegelianos mais ateus e radicais insistem no vício de substituir uma ideia abstrata posta num ponto de vista superior – hipostasiado e, portanto, sagrado – por outra. Se antes Deus (uma ideia) era a verdade, agora o Homem (outra ideia) é a verdade. Stirner, então, acrescenta que, do mesmo modo que na Modernidade nos descobrimos por detrás das coisas mundo – e como são no mundo – como Espírito, também mais tarde nos encontraremos por detrás das ideias espirituais como indivíduo (particular-corpóreo). Mas não apenas isso: encontramo-nos precisamente como seu criador e, portanto, proprietário. Resta-nos, então, segundo Stirner, tomarmos o mundo para nós e, antes ainda, tomarmo-nos a nós mesmo. A Ideia, que se punha superior e estranha ao indivíduo singular-corpóreo, volta a ser sua propriedade. Apropriando-se de tudo, o indivíduo impede que qualquer ideia (ou pessoa, deve-se acrescentar) possa se apropriar dele e, assim, dissolve o problema da sua determinação por um “outro”, como uma essência, uma sustância, uma verdade objetiva qualquer, ou qualquer forma transcendental de relação. O “estranho” (o que não é meu) é, para Stirner, a marca do sagrado. Mais à frente, é abandonando também um vocabulário filosófico sacralizado, ou seja, que diz respeito ao transcendental, ao que faz parte de um mundo estranho a mim, que pragmatistas, como Richard Rorty, pretendem redescrever a relação entre filosofia e conhecimento, convertendo a filosofia em crítica da cultura, em filosofia da ação e da vida. Por fim, é ainda numa atitude de apropriação que o modernismo, especialmente o brasileiro, procurou redescrever a cultura – em crítica (anti-sacralista) e ação. Este texto trata de desenvolver de que modo ocorre a ideia de apropriação como crítica destranscendentalizadora da filosofia e da política no (pós)hegelianismo stirneriano e como tal ideia pode ser tomada na filosofia contemporânea como crítica da cultura, a partir da concepção de filosofia pragmatista e do empreendimento modernista.

PROGRAMAÇÃO INTERNA GERAL DO GT POÉTICA PRAGMÁTICA NA I SEMANA DE FILOSOFIA DA UEFS

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