Gramsci e o Pragmatismo
Queridos,
segue abaixo um link sobre um texto interessante de Gramsci e o Pragmatismo.
http://www.igsitalia.org/Libro%20Meta.pdf
Planejamento 2012.1
Para o primeiro semestre de 2012 o grupo de estudos Poética Pragmática terá como eixo temático para seus trabalhos "Habermas e a destrancendentalização da filosofia".
Para explorar esse tema serão tratados os seguintes textos:
Para explorar esse tema serão tratados os seguintes textos:
- HABERMAS, Jürgen. Verdade e Justificação.Ed. ZAHAR, Rio de Janeiro,1982. Capítulo II: Positivismo, Pragmatismo e Historicismo. P. 89-211
- HABERMAS, Jürgen. Consciência Moral e Agir Comunicativo. Ed.Tempo Brasileiro, Rio de Janeiro 2003. 1-A filosofia como guardadora de lugar e intérprete. P. 17-37.
A irreverência diante do altar: O humor e a filosofia em Max Stirner.
Hilton Leal - Professor Substituto do Departamento de Filosofia da UFBA, Mestrando em Filosofia UFBA.
Penso que devem existir filósofos para os quais a afirmação de Alfred Whitehead (1929) de que a história da Filosofia "não passa de uma sucessão de notas de rodapé da obra de Platão” embora soe exagerada não deixa de ser verossímil. Suponho, contudo, que a maioria desses mesmos filósofos não sentem-se muito a vontade com as perspectivas políticas oferecidas por esse mesmo Platão em A República e certamente tentam separar as pretensões universalistas do platonismo das consequências aristocráticas e anti-democráticas manifestas na obra Magna do filósofo grego. Uma separação que o filosófo alemão Johann Kaspar Schmidt, mais conhecido pelo pseudônimo de Max Stirner, talvez considerasse impossível. Em sua obra principal, O Único e sua Propriedade, Stirner desenvolve um discurso, cuja natureza bem poderiamos chamar de anti-platônica, que denuncia os resultados anti-democráticos das pretensões de universalidade características de muitos sistemas filosóficos. A perspectiva oferecida por Stirner parece indicar a existência de uma relação estreita entre a atribuição de um aspecto “universal” ou “absoluto” a certos pensamentos e a instauração de relações mundanas sob a tutela de princípios e hierárquias. Para Stirner, contudo, tais hieráquias seriam apenas estratégias existênciais, modos de lidar com o mundo, adotados pelos “fanáticos do Sagrado”, indivíduos interessados e possesivos mas que tentam incutir o temor a algo “Sagrado, eterno e imutável” com o objetivo de se impor, o que levaria a divisão dos homens em cultos e incultos. Os primeiros prestam honras ao sagrado, ocupam-se de idéias, do pensamento, os segundos tratam de suas necessidades vitais mas como não sabem impor-se aos primeiros terminam por deixar-se imolar no altar dos nobres princípios. Tal veneração, defendida de modo veemente pelos pensadores que fazem parte do que Stirner chama de “pastoral das almas”, denuncia sua natureza pela maneira como lida com o senso de humor. “De fato nada existe de mais sério do que os idiotas quando toca-se no cerne da sua idiotice:tanto zêlo os faz perder totalmente o sentido do humor [basta olhar para os manicômios] (STIRNER, UP, Pg.87). Essa seriedade seria uma das características do que ele chama de veneração pelo Sagrado, uma atitude existencial de consequências importantes para a relação entre aquele que a adota e o mundo que o circunda. Algumas dessas consequências apontadas por Stirner são cruciais para a compreensão da filosofia do modo sugerido por Whitehead . A idéia, por exemplo, de que certas palavras como “verdade”, “liberdade”, prova”, “fato” possuem um valor nelas mesmas é uma dessas consequências. Independente do uso que podemos dar a tais expressões estas possuiriam, para alguns intelectuais, algo que é intrissecamente valioso e substituir uma delas por outra, a palavra verdade pela palavra prazer por exemplo, seria algo semelhante a um sacrilégio. Para Stirner tal atitude reflete a convicção de que tais palavras encarnam algo que nos “escapa”, que é “maior e mais sublime”. “Algo que nos foge” e diante do que só podemos dobrar os joelhos em veneração. Se a seriedade nos agrilhoa ao Sagrado, apenas o humor e tudo que vincula-se a um sadio sentido de auto-afirmação e fruição de si pode conjurá-lo, o que para Stirner não implica abrir mão da cultura teórica da modernidade nem da filosofia, pelo contrário, trata-se de usá-las a nosso “bel prazer”. Se o platonismo tem consequências anti-democráticas e tende a produzir um verticalismo que coloca o intelectual no topo da hierárquia cultural , penso que seria razoável afirmar que um anti-platonismo radical como o de Stirner só pode ter consequências hiper-democráticas e horizontalizantes. Se a cultura platônica faz o homem “deixar de ser criativo para se tornar aprendiz” o fim do estado de minoridade sob a presumida tutela dos intelectuais permitiria a produção de uma cultura ricamente estetizada e pragmatizada na qual os indivíduos relacionam-se uns com os outros sem a mediação de nada que não seja um mero produto deles mesmos. Rindo mais que venerando talvez nos tornassemos mais eficientemente imunizados contra os fundamentalismos que volta e meia batem a nossa porta. O riso, afinal de contas, talvez possa fazer muito pela filosofia.
Nota a uma Aproximação: Marx e Foucault
Prof. Ms. Marcos Vinícius Paim - Doutorando em Filosofia e Teoria Social pela UFBA.
A ideia de um Foucault marxista, ou da dificuldade desta perspectiva em seu pensamento, tem movido recentes discussões. Em uma reunião de artigos, Marx y Foucault, há uma abordagem, por parte de Thomas Lemke e Stéphane Legrand, de demonstrar uma influência teórica de Marx sobre o seu pensamento. O primeiro em um texto intitulado “Marx sin comillas”: Foucault, la gubernamentalidad y la crítica del neoliberalismo”, em que o autor parte de uma crítica a determinados autores, como Etienne Balibar, que afirma que toda a produtividade filosófica de Foucault se caracteriza por uma luta genuína contra Marx. Para Lemke, afirmar algo desta natureza é não levar em consideração que o pensamento de Foucault, ao longo de todo ele, passa por desdobramentos conceituais. Como o do poder, por exemplo. Lemke, em seu texto, propõe que existe uma grande aproximação entre determinadas ideias foucaultianas e o marxismo. Ele toma como referência de análise a governamentalidade (conjunto de instituições e práticas que se utilizam para conduzir os homens desde a administração até a educação) como sendo uma forma política de controle muito mais ampla, abrigada pelo Estado. Segundo o autor, Foucault em contato com o segundo volume do Capital, de Marx, revê sua posição que antes era de se opor ao discurso jurídico-político para investigar as relações sociais e as consequentes micro-relações de poder nelas presentes. A partir deste desdobramento da ideia de poder Foucault se aproxima de Marx, justamente por tomar como análise de uma nova forma de controle social (biopolítica) a economia e a política, aspectos de referência de que se utiliza Marx para analisar a sociedade e as suas estruturas. Com isto, Foucault passa a ver o Estado não mais como algo negativo, já que nas ideias de Marx é centralizador e único como exercício de poder, mas agora como positivo na medida em que vemos a partir do século XVIII um Estado de governamentalidade garantido pela chamada arte de governar. E é por isso que o marxista Lemke aponta o quanto as análises de Foucault sobre a governamentalidade, em muito nos servem para compreender as contemporâneas formas neoliberais de governo.
A ideia de um Foucault marxista, ou da dificuldade desta perspectiva em seu pensamento, tem movido recentes discussões. Em uma reunião de artigos, Marx y Foucault, há uma abordagem, por parte de Thomas Lemke e Stéphane Legrand, de demonstrar uma influência teórica de Marx sobre o seu pensamento. O primeiro em um texto intitulado “Marx sin comillas”: Foucault, la gubernamentalidad y la crítica del neoliberalismo”, em que o autor parte de uma crítica a determinados autores, como Etienne Balibar, que afirma que toda a produtividade filosófica de Foucault se caracteriza por uma luta genuína contra Marx. Para Lemke, afirmar algo desta natureza é não levar em consideração que o pensamento de Foucault, ao longo de todo ele, passa por desdobramentos conceituais. Como o do poder, por exemplo. Lemke, em seu texto, propõe que existe uma grande aproximação entre determinadas ideias foucaultianas e o marxismo. Ele toma como referência de análise a governamentalidade (conjunto de instituições e práticas que se utilizam para conduzir os homens desde a administração até a educação) como sendo uma forma política de controle muito mais ampla, abrigada pelo Estado. Segundo o autor, Foucault em contato com o segundo volume do Capital, de Marx, revê sua posição que antes era de se opor ao discurso jurídico-político para investigar as relações sociais e as consequentes micro-relações de poder nelas presentes. A partir deste desdobramento da ideia de poder Foucault se aproxima de Marx, justamente por tomar como análise de uma nova forma de controle social (biopolítica) a economia e a política, aspectos de referência de que se utiliza Marx para analisar a sociedade e as suas estruturas. Com isto, Foucault passa a ver o Estado não mais como algo negativo, já que nas ideias de Marx é centralizador e único como exercício de poder, mas agora como positivo na medida em que vemos a partir do século XVIII um Estado de governamentalidade garantido pela chamada arte de governar. E é por isso que o marxista Lemke aponta o quanto as análises de Foucault sobre a governamentalidade, em muito nos servem para compreender as contemporâneas formas neoliberais de governo.
Já o texto de Legrand, “O marxismo olvidado de Foucault” comunga com as ideias ditas por Lemke acerca da influência de Marx sobre Foucault. Contudo, Legrand mostra que já em Vigiar e punir, Foucault inicia suas análises do poder levando em consideração a vigilância e o panoptismo, como tecnologias de disciplinarização; trata-se, segundo o autor, de uma forma de ocultar a referência marxista em cujas bases foram elaboradas os principais elementos da análise política de Foucault. Ou seja, que estas concepções foucaultianas inseridas em uma história das instituições carcerárias e considerando a disciplina como tecnologia de controle, foi a maneira que encontrou Foucault para articular uma crítica da economia política e mostrar o quanto, nas sociedades atuais, os indivíduos estão submetidos à exploração dos modos de produção capitalista, que sujeitam os homens quando exigem destes a sua força de trabalho. Daí a sua ideia de ver outras instituições sociais como o exército, os hospitais, as escolas e as fábricas como análogas às prisões, e como sendo os espaços apropriados para um agenciamento dos indivíduos, onde se teria garantida algum tipo de produção por parte deles.
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